Sobre a (des)informação e os direitos humanos

Em contraponto à habitual rude compreensão autoritária dos Direitos Humanos que apresentam os denominados grupos de Controle do Tabagismo, o Dr. Lynn T. Kozlowski, professor de Saúde Comunitária e Comportamento Sanitário, na SPHHP da Universidade de Buffalo (NY), promove uma perspectiva mais liberal e transigente em relação ao alcance da intervenção estatal, dando ênfase em uma maior autonomia dos indivíduos e no direito a informações justificadas e legítimas sobre saúde.

No artigo, Kozlowski, que também é colaborador do U.S. Surgeon General, discorre sobre a desinformação, informação parcial e a perspectiva dos grupos de Controle do Tabagismo, movimentos constituídos por agentes públicos, profissionais de saúde e sociedades médicas.

“Policy makers and consumers should prioritize human rights to being smoke-free over either tobacco- or nicotine-free: accurate terms and relevant evidence”

Uma abordagem holística considera o panorama no seu todo. Observar o direito dos consumidores a informações relevantes para a saúde pode ocorrer atualmente. Observar o direito do mundo a ser completamente livre do tabaco é para o futuro, se acontecer.

Prefiro também advogar por um direito humano a um mundo livre da fumaça do tabaco e não por um mundo livre do tabaco, porque a evidência de apoio surge de forma mais conclusiva alicerçado nos estudos dos efeitos da fumaça do cigarro.

(…) Ao lidar com a epidemia do “tabaco”, seria uma boa prática de saúde pública priorizar a atenção aos produtos mais comuns e mais mortais (cigarros), especialmente quando outros produtos são causas menos comuns ou menos importantes de morte prematura e incapacidade: os danos de alguns desses outros produtos de tabaco ou que contenham nicotina podem ser bastante baixos. É claro que tal triagem ou priorização não implica negligenciar as preocupações com todos esses produtos, mas apresentar uma preocupação mais proporcional.

(…) Para ser justo e preciso, se uma agência quiser enfatizar os riscos maciços de um tipo de produto de tabaco, eles também devem informar sobre os riscos menores conhecidos de outros produtos de tabaco ou destinados ao consumo de nicotina. É como se os riscos de morte em veículos motorizados fossem promovidos apenas pelas motocicletas. (…) A principal evidência do grande ônus do tabaco em morte e incapacidade vem do tabagismo.

Como a comunida de Controle do Tabagismo pode manter sua credibilidade se não conseguir tratar a tragédia do tabaco combustível na proporção adequada para os danos menores, em alguns casos dramaticamente menores, de produtos não queimados e produtos não derivados do tabaco para o consumo de nicotina? Palavras mais precisas e maior confiança em evidências relevantes para os produtos devem ser importantes quando se trata de combater epidemias assustadoras e perseguir os direitos humanos à saúde.


Policy makers and consumers should prioritize human rights to being smoke-free over either tobacco- or nicotine-free: accurate terms and relevant evidence
Dr. Kozlowski LT


Fonte: Clive Bates - https://www.clivebates.com/
Imagem destacada: Eddie Rooney e o ministro da saúde Edwin Poots fotografados no lançamento da Estratégia de Controle do Tabaco (2012). Foto: DUP Photos