LINHA DO TEMPO

1927

Joseph Robinson registra a patente para um “vaporizador elétrico” (não necessariamente para o consumo de nicotina)

1963

Herbert A. Gilbert registra a patente de um “cigarro sem fumo e sem tabaco” que se assemelha ao cigarro eletrônico moderno com bateria, fonte de calor e cartucho de sabor (sem nicotina). Nunca foi comercializado.

1979

Phil Ray, um dos pioneiros dos computadores e o médico Norman Jacobson realizaram a primeira pesquisa formal conhecida sobre a liberação de nicotina e tentaram comercializar um produto similar a um cigarro eletrônico.

Embora o dispositivo tenha fracassado comercialmente, os inventores contribuiram com a terminologia: foram os primeiros a usar o verbo “vape”.

1985 / 1999

Inúmeras patentes de dispositivos para liberação de nicotina foram registradas ao longo das décadas de 1980 e 1990 por empresas de tabaco e inventores individuais, porém não comercializados.

Favor (1985), Premier (tabaco aquecido da R.J. Reynolds, em 1988) e Accord (tabaco aquecido da Phillip Morris, em 1998) são alguns exemplos.

2001 / 2003

Aqui surge o moderno cigarro eletrônico. Em Pequim, o chinês Hon Lik, um farmacêutico e fumante de 52 anos, realiza experimentos de vaporização por ultrassom e, posteriormente, um método piezoelétrico de vaporização de nicotina.

Em 2003, a empresa que Lik trabalhava, a Golden Dragon Holdings, lança o dispositivo Ruyan, que significa “como fumaça”. Lik teria criado o aparelho depois que seu pai, também fumante pesado, morre de câncer de pulmão.

2006

Os primeiros cigarros eletrônicos são introduzidos nos mercados europeu e norte americano.

2008

Em um estudo financiado pela Ruyan, a Health New Zealand realiza uma análise quantitativa detalhada e conclui que carcinógenos e tóxicos estão presentes apenas abaixo de níveis perigosos. Com base nos resultados, o cigarro eletrônico é classificado em várias ordens de magnitude (100 a 1000 vezes) menos perigoso do que fumar cigarros de tabaco. A dose de nicotina é comparável à de um inalador medicinal de nicotina. No geral, o produto testado foi considerado uma “alternativa segura ao fumo”.

No mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) proclama que não considera o cigarro eletrônico um auxílio legítimo para a cessação do tabagismo.

Ainda em 2008 consumidores começam a inventar formas de customizar os aparelhos. Surge a segunda geração de dispositivos, com sistemas de tanques e atomizadores.

2009

Enquanto países mais desenvolvidos promovem discussões públicas e regulamentação, a ANVISA proíbe a venda, importação e publicidade de cigarros eletrônicos no Brasil.

Em outubro é fundada nos EUA a primeira organização de consumidores, a Consumer Advocates for Smoke-free Alternatives Association (CASAA).

Neste ano são lançados os dispositivos eGO, com componentes intercambiáveis, que impulsionaria a popularização dos Ecigs.

2011

Um estudo é publicado no American Journal of Preventive Medicine, relatando que os cigarros eletrônicos são uma ferramenta promissora para ajudar os fumantes a parar de fumar, produzindo taxas de abstinência de seis meses melhores que as dos produtos tradicionais de substituição de nicotina.

Outro estudo, publicado na revista “Addiction”, fornece fortes evidências de que muitos fumantes estão usando com sucesso o uso de cigarros eletrônicos para parar de fumar ou reduzir substancialmente o número de cigarros que consomem, e que os cigarros eletrônicos estão sendo usados com sucesso por muitos ex-fumantes para permanecerem sem fumar.

Os resultados do primeiro ensaio clínico de cigarros eletrônicos, relatado na revista BMC Public Health, sugerem que os cigarros eletrônicos podem ser mais eficazes do que os produtos tradicionais de TRN para parar de fumar e podem ser particularmente eficazes em fumantes que não estão motivados a parar de fumar.

2012

Aproximadamente 200 dos estimados 1,2 milhão de usuários de cigarro eletrônico da Alemanha protestam pacificamente em Düsseldorf contra “mentiras e desinformação promovidas pela imprensa, e ataques a lojas de líquidos [e-cigarros] pela polícia”.

2013

Visualizando a explosão da popularização, o potencial da pequena indústria emergente constituída pelos próprios usuários e por estar perdendo consumidores, a indústria tabagista busca posição no mercado. BAT lança o Vype, Imperial Tobacco adquire as patentes de Hon Lik, Altria compra a Green Smoke e Reynolds lança Vuse.

2014

Dr. Burstyn publica na BMC Public Health o estudo “Olhando através da névoa: revisão sistemática do que a química de contaminantes nos cigarros eletrônicos nos diz sobre os riscos à saúde”. Ao revisar mais de 9.000 observações sobre a química do vapor e do líquido nos cigarros eletrônicos, Burstyn determinou que os níveis de contaminantes que os usuários de cigarro eletrônico estão expostos são insignificantes, muito abaixo dos níveis que representariam qualquer risco à saúde e que não há o risco passivo.

Neste mesmo ano, a PMI lança o IQOS.

2015

A Public Health England anuncia o primeiro –dos quatrorelatório especializado e conclui que os cigarros eletrônicos são significativamente menos prejudiciais à saúde do que o fumo e têm o potencial de ajudar os fumantes a parar de fumar. É esta publicação que divulga a famosa afirmação: “cigarros eletrônicos são 95% menos prejudiciais que o os cigarros convencionais”.

2016

O Royal College of Physicians (Reino Unido) publicou um relatório de 200 páginas intitulado “Nicotina sem fumaça: redução de danos do tabagismo“, examinando a ciência, políticas públicas, regulamentação e ética em torno de cigarros eletrônicos e outras fontes de nicotina que não são de tabaco, abordando controvérsias e mal-entendidos com conclusões baseadas nas mais recentes evidências disponíveis.
Significativamente, o relatório observa que “[os] fumantes podem ficar tranqüilizados e devem ser incentivados a mudar para os Ecigs – e o público pode estar seguro de que os cigarros eletrônicos são muito mais seguros do que fumar”.

Em contraste, um comerciante de 25 anos de idade em Mohali (Punjab, Índia) foi condenado a três anos de prisão por vender cigarros eletrônicos, violando a Lei de Cigarros e Outros Produtos do Tabaco (COTPA).

Em maio, o documentário “A Billion Lives” faz sua estreia mundial no 2016 Doc Edge Film Festival na Nova Zelândia.

2019

Em 18 de junho é registrada a TOBACCO HARM REDUCTION BRASIL (THR BRASIL), a primeira organização brasileira da sociedade civil, independente e sem fins lucrativos, que objetiva estimular e promover o acesso a produtos de nicotina mais seguros e defender os direitos dos consumidores de nicotina e vapers brasileiros. A organização foi oficialmente lançada durante o 6º Fórum Global sobre Nicotina, em Varsóvia, no mês de junho.


Fontes: 
Global State of Tobacco Harm Reduction - https://gsthr.org/
The Consumer Advocates for Smoke-free Alternatives Association (CASAA) - http://www.casaa.org
The International Network of Nicotine Consumer Organisations - https://innco.org/